segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Aquele capitulo sem número e sem titulo

O dia foi, todo ele, passado junto da avó Maria Rosa. Os médicos estavam espantados com ela: estava melhor, deixara de precisar de oxigénio e estava mais animada, com mais vontade de se mexer e ter os netos e bisneto a brincar com ela. 
Ezequiel, Ana e Enrique saíram do hospital antes de todos. O bebé estava a ficar mais inquieto e foram para casa na expectativa de o acalmar e descansarem um pouco. Estavam no quarto, Enrique acabou por adormecer deitado no tronco do pai, que o deixou ficar ali a dormir.


- A tua avó é muito especial... - comentou Ana, deitando-se ao lado de Ezequiel. 
- Ela também gosta muito de ti.
- Ezequiel...pensei numa coisa ainda à bocado. 
- No que?
- Temos de ver como é que são os próximos dias para a tua avó...se os médicos nos garantirem que ela está livre de perigo, que pode fazer a vida dela normalmente...nós podíamos levá-la connosco para Portugal, e ao teu avô. E casávamos - Ezequiel tinha Enrique deitado no seu tronco, mas virou a sua face olhando para Ana. 
Não esperava aquelas ideias de Ana...sabia que ela era capaz de as ter, mas não estava a contar que ela as dissesse.
- Casar? 
- Não estamos noivos?
- Estamos...
- Então. Eles iam connosco e daqui a dois meses, quando o campeonato acabasse casávamos. Eles estariam presentes durante todos os dias da vida do Enrique, estavam comigo e acredito que para ti também era bom.
- Sim...te-los lá iria descansar-me. 
- Então. Amanhã podíamos falar com eles. 
- Cada dia me surpreendes mais, tens noção disso? 
- Sou estou a ser eu Ezequiel. Nós íamos casar em Agosto, que diferença faz adiar as coisas e casar mais cedo se isso implicar ter todos presentes? 
- Yo te amo mi reina. 
- Y yo te amo a ti - Ana inclinou-se sobre ele, beijando-o. 

Maria Rosa conseguiu recuperar, não a 100% mas recuperou. No dia seguinte estava já em pé quando foram ter com ela, já se tinha arranjado porque os médicos lhe tinham dado alta e ela queria ir à missa das onze horas. Foi um animo para todos. Um alivio, com uma pontinha de preocupação, mas com forças para continuarem.
No fim da missa falaram com Maria Rosa, Francisco, Ayelen e Juan, Ana explicou o que tinha pensado, o que tinha idealizado para os dois meses que se seguiam. 
Maria ficou apreensiva, não queria sair do seu país. Mas queria estar com os netos e ver o pequeno Enrique crescer. Falou durante uns minutos com o marido e decidiram que iriam para Lisboa. Queriam estar com eles, queriam sentir-se perto deles. 

2 meses depois: 
Uma vida completamente diferente. Eram esses os nossos dias. As nossas horas, os nossos minutos e cada segundo era aproveitado ao máximo. Eu e o Ezequiel aprendemos a ser pais, com os melhores professores que poderíamos pedir: os meus pais, os pais dele e os seus avós. Cada um deles, à sua maneira, ensinavam-nos qualquer coisa nova todos os dias. Por muito pequena que fosse, era sempre maravilhosa. 
De há um mês para cá, a confusão tem sido a palavra que mais se usa. Preparativos para o casamento. O Ezequiel andou com os últimos jogos do Benfica, com os últimos minutos para dar ao nosso clube, e tudo o que está relacionado com o casamento tem sido decidido a dois, ou a três, quatro ou cinco. 
Quando o Ezequiel não podia estar presente para ajudar, estava sempre a minha mãe, a mãe dele ou a avó Maria. "Adoptei-a" como minha avó também. Tem sido tão boa para mim que me sinto extremamente feliz por a ter a viver connosco. 
E o meu filho? É a coisa mais linda deste mundo e de todas as galáxias. É capaz de melhorar cada dia menos bom, põe um sorriso nos lábios do pai quando eu não o sei, ou não consigo, fazer. É a nossa fonte de felicidade eterna. É o nosso bebé, aquele que sempre pedi e que sempre desejei ter. 
Sinceramente, este casamento não estava a ser preparado como eu imaginei que um dia fosse preparar o meu casamento. Não quis despedida de solteira...já não o sou à imenso tempo. Decidi passar a noite com os dois homens da minha vida. Enrique no meio da cama, eu e o Ezequiel ao lado dele. Só assim fez sentido...queria-os só para mim já que o dia de amanhã...é daqueles dias em que temos as atenções todas em nós e que acabamos por nos perder no meio de tantas pessoas. 

Oito de Junho
Acordei com a sensação de cama vazia. Odeio quando ele me faz isto! Odeio! Ao abrir os olhos confirmei as minhas suspeitas, nem Enrique nem Ezequiel. Apenas uma rosa vermelha, uma chucha e um bilhete. 

Fugi com o nosso bebé para outra divisão da casa. A tua mãe vem ter contigo aqui para te ajudar. Antes de começar a cerimónia vou buscar a tua parte espanhola ao aeroporto. Não te preocupes...eu não fujo. Cada vez mais perto de ser eternamente teu...te amo my novia.

Peguei na chucha e na rosa ficando ali deitada...estava com preguiça, num dia como o de hoje!? Estava perdida a olhar para as fotos que preenchiam a minha mesa de cabeceira, quando batem, suavemente, à porta. 
- Quem é?
- Sou eu filha. 
- Entra - a porta abriu-se e a minha mãe entrou. Atrás dela vinha: a Floréncia, a avó do Ezequiel, o cabeleireiro, a Inês e a Mariana (que iriam ser as minhas damas de honor e quem iria tratar da maquilhagem e unhas). Vinha também a Tamara com a sua barriga cada vez maior. Faltavam seis semanas para a menina dela nascer. 
- Buenos dias! - ultimamente anda tudo a falar em espanhol. É lindo...à anos irritava-me hoje é a língua que mais amo no mundo. A Flor deitou-se a meu lado, enchendo-me de beijos na bochecha. 
- Vamos a levantar dorminhoca! - disse ela. 
- Para que a pressa? 
- Temos um longo dia pela frente e tens de te preparar que daqui a pouco começam a chegar os convidados. 
- O Ezequiel?
- Já foi para o aeroporto - respondeu a minha mãe.
- O Enrique?
- Está com os avós lá em baixo. Podes, agora, levantar-te e ir tomar um duche?
- Posso - acabei por me levantar e, antes de ir para a casa de banho, dei dois beijos a todos os que estavam ali, a invadir o meu quarto. 
Depois de um banho bem perfumado, vesti um vestido leve e voltei ao quarto onde já só estava a minha mãe. 
- Vá, calça-te que vamos embora.
- Hã?
- Sim, o Ezequiel vem para aqui arranjar-se e tu vais para nossa casa. 
- Mas mãe...eu e o Ezequiel íamos prepararmos-nos juntos...
- Essas modernices não são para nós. Vamos! Toca a andar! 
- Nem no dia do meu casamento sou eu a decidir as coisas? 
- Não! 
- Vale! - saímos as duas do quarto indo até ao andar debaixo onde estava a Ayelen e o Juan, com o me bebé - buenos dias! - fui ter com eles, dando dois beijinhos a cada um e peguei no Enrique. 
- Despacha-te que o Ezequiel está quase a voltar - avisou a Ayelen.
- Mas vocês também...?
- Sim. Agora: queres que o Enrique vá contigo? Ou fica aqui e vai connosco para a cerimónia? 
- Ele fica com vocês. As coisinhas dele estão aqui e lá em casa vai estar uma confusão maior. Não se importam?
- Claro que não! - a Ayelen veio ter comigo, dando-me um beijo na bochecha - fica descansada que o Enrique fica em boas mãos.
- Eu sei disso.
- Então, toca a ir embora! 
Dei mais um beijo ao meu filho entregando-o à avó. Sai com a minha mãe, entrámos no carro do meu pai e fomos até à casa deles. 
Quando lá chegámos estava mesmo uma confusão...aquela que eu queria evitar arranjando-me ao mesmo tempo que o Ezequiel.
Eram vestidos pendurados por todos os lados, maquilhagem, fotografo...tudo naquela casa. Começámos a vestir-nos (eu e as damas de honor que quiseram ir de igual) e depois passámos à maquilhagem. 





Ezequiel:
Sai de casa deixando o Enrique ao cuidado dos avós. Tinha de ir ao aeroporto buscar o Sergio, os pais dele e os irmãos. Vinha também o Gonzalo e a mulher e o Callejón, o namorado da Tamara, que só conseguia chegar hoje. Óbvio que um carro não deu para todos, pelo que fui numa limusina que tínhamos alugado. 
Felizmente, não haviam paparazzi's no aeroporto em massa. Foi tranquila a chegada deles e assim que entraram todos na limusina, fizemos caminho até casa.
- Nervoso? - perguntou o Sergio.
- Não...e tu?
- Porque é que haveria eu de estar nervoso?
- Porque...ainda não sabes?
- Não sei o que?
- Do que a Ana quer.
- Em relação ao casamento?
- Sim, em relação a quem a vai levar ao altar.
- Não é o pai dela?
- E tu. 
- Hã?
- Sim...ela quer que tu e o pai dela a levem ao altar. 
- Pensei que a Ana já te tivesse dito, por isso não te disse nada - afirmou a Paqui. 
- Mas...ela a mim não me disse nada. 
- Vocês vão ficar em casa dos pais dela e lá podes falar com ela. 
- Essa miúda...
- Ficaste nervoso, Serginho? - inquiriu o Gonzalo. 
- Fiquei! 
A gargalhada foi geral e depressa chegamos a casa dos pais da Ana. Os Ramos Garcia saíram da limusina e eu, o Gonzalo e a mulher dele continuámos caminho até casa. 
A cerimónia iria ser no jardim de nossa casa. O copo de água era numa quinta perto que tínhamos encontrado e que achámos que era perfeita para nós. 
Quando cheguei a casa, já a confusão estava instalada. A minha mãe já andava a ajudar a organizar o jardim, o meu pai a tratar da electricidade e os meus irmãos a tomarem conta do Enrique. Antes que começassem a reclamar comigo, fui arranjar-me, voltando para o andar debaixo para começar a receber os primeiros convidados, maioritariamente colegas de equipa do Benfica. 

















Ana: 
Estava já pronta e todas as pessoas junto a mim arranjadas também quando tocam à campainha. A minha mãe foi lá e era a minha parte espanhola. Os meus tios e os meus primos. Cumprimentei todos, o Sergio ficou para último...tinha feito de propósito porque ele vinha com uma cara que me meteu medo!
- Pequeña... - ele abraçou-me, dando-me um beijo no pescoço - estás muito bonita.
- Obrigada Sergio...tu também. 
- O Ezequiel contou-me uma coisa...
- Era suposto só saberes na altura que era para não fugires. 
- É uma honra acompanhar-te na ida até ao altar. 
- Serio?
- Claro!
- Gracias Sergio - voltei a abraçá-lo...era importante para mim que ele me acompanhasse.

Com um ambiente romântico e familiar em ambas as casas a hora tinha chegado. Já os convidados estavam todos no jardim a ocupar os seus lugares. Ezequiel ocupava o seu também. Na primeira fila via a sua família. A sua mãe. O seu pai. Os seus irmãos. Os seus avós.Uns tios. E os seus irmãos de coração, aqueles que lidam com ele dia após dia, jogadores do Benfica, Higuain estava a seu lado (era o seu padrinho juntamente com a sua mulher). E...o pequeno ser que lhe faz sorrir só pela sua presença, o filho deles. O filho que os uniu mais que nunca e que lhes dá um outro animo e alegria a todos os dias. Não poderia estar mais feliz.
Do lado da Ana ainda estavam as primeiras filas por ocupar. Faltavam os pais dela, os tios, os primos, as amigas, mas já estavam as mulheres dos jogadores do Benfica. Ela tinham ficado do lado de Ana. O grupinho estava todo reunido. Só faltava a chegada dela.
Como é hábito a noiva chega atrasada. Ana não queria, mas acabou por acontecer. Quando chegaram à sala de casa, os últimos retoques no cabelo e na maquilhagem prenderam-na ali por uns minutos. Os seus pais, os seus tios e os primos foram até ao jardim ocupando a primeira fila.
Ana ficou na sala com Sergio, Roberto, Tamara, Ines, Mariana, Magali e Romanella. As meninas seriam as suas damas de honor. Tamara ocupava o lugar de madrinha e Sergio de padrinho.
Quando tudo estava preparado começaram a ir até ao jardim. As meninas primeiro e só depois Ana com Sergio de um lado e Roberto do outro. Ela tentava não se emocionar logo no primeiro instante, mas ao ver Ezequiel à sua espera, uma lágrima teimosa caiu-lhe pela face. Ela não queria ser a típica noiva que chora, porque ela estava feliz. Mais do que nunca.
Tanto Sergio como Roberto entregaram a mão de Ana a Ezequiel, que a beijou.
- Estás linda, mi amor.
- Tu também... - Ana olhava para ele e só desejava que depressa chegasse o momento em que são declarados marido e mulher.
A senhora do conservatório deu inicio à cerimónia. Eles tinha escrito os seus votos, não queriam que fossem iguais aos de todos os casais. Queriam que fossem únicos porque tinham sido eles a escreve-los. Ana foi a primeira:
- Estamos juntos à dois anos. Estivemos um ano separados e nessa altura pensei que nunca mais iria olhar para ti como meu. Sempre tive a esperança e isso, talvez, manteve o meu amor por ti intacto. Odiava-te, mas amava-te por seres a pessoa que mais me entendeu num curto espaço de tempo. Fazes-me a mulher mais feliz do mundo, estamos a construir o nosso reino cada vez melhor, temos o nosso príncipe que é a mais alegria dos nossos dias. Ezequiel - Ana pegou na aliança de Ezequiel - recebe esta aliança, não como prova do meu amor por ti, mas como prova de que estaremos para sempre juntos. Seja no bom ou no mau, já demos mais provas do que as precisas para ver que vamos ser nós e os nossos - Ana colocou a aliança em Ezequiel, beijando-a de seguida - te amo mi rey. 
Ezequiel ficou emocionado, mas tomou a palavra:
- Nunca pensei que a minha ida para Madrid fosse alterar completamente a minha vida. Cresci em termos profissionais, mas ganhei a melhor coisa que a vida me poderia ter dado. "O teu espanhol irrita-me profundamente"...disseste-me isto depois de chegarmos a casa depois da nossa primeira noite em Madrid. Lembro-me todos os dias disto...afinal o espanhol não te irrita assim tanto - todos os presentes se riram, mas Ezequiel não perdeu o raciocínio - sonhei com este dia imensas vezes, mas nunca o imaginei assim. Temos um filho, sempre pensei que iríamos casar primeiro e ter um filho depois. Mas ele veio mais cedo e é igualizinho a ti. Pode ser a minha cara chapada, mas por dentro é só igual a ti. Vocês os dois são quem me fazem sorrir, quem me dá força quando eu estou em baixo...são o melhor do meu mundo - Ezequiel pegou na aliança de Ana - aceita esta aliança porque todos têm de saber que tu és minha e não andas por aí à solta para qualquer um! - Ana ficou surpreendida com o que Ezequiel acabara de dizer - tu és minha e esta aliança faz de ti Ana González - ele colocou a aliança no dedo de Ana, beijando-a - te amo mi reyna. 
Mais um momento dirigido pela senhora do conservatório. O momento que eles ansiavam chegou:
- Declaro-vos marido e mulher. Pode beijar a noiva - Ezequiel sorriu ao ouvir aquelas palavras e apenas beijou a sua mulher.





Depois de terminada a cerimónia, todos se dirigiram para a quinta onde seria o copo de água. Os convidados foram até ao local onde iria decorrer o almoço. Tinha sido tudo planeado por Ana e Ezequiel, ao jeito deles. 



Ana e Ezequiel foram para as fotografias. Queriam um momento só deles, apesar de terem o fotografo presente. As palavras entre eles eram poucas. "Amo-te", "te amo", "és o homem da minha vida" e "és a mulher da minha vida" era só o que se ouvia. 










Todo o dia foi uma animação, com muito amor à mistura. Tinham imensas fotografias daquele dia, Ana e Ezequiel tinham duas em particular que adoravam por terem sido tiradas sem eles darem conta disso. 



O dia terminou já de noite. Com um brinde. Em que foi anunciada a mudança. Ezequiel tomou a palavra: 
- Quero agradecer a todos os que tiveram presentes. É muito importante para nós que aqui estejam num dia tão especial para nós como o de hoje. Antes de nos despedirmos de vocês...queríamos partilhar uma novidade. 
- Pequeña estás grávida? - Sergio interrompeu Ezequiel, deixando todos com a mesma pergunta.
- Não - respondeu Ana. 
- Não, a novidade está relacionada com a nossa lua-de-mel e a nossa vida a partir de amanhã. No final do mês vou assinar contrato com o Manchester United - todos ficaram surpreendidos com aquela novidade - amanhã partimos para a nossa lua de mel em terras inglesas. Vamos começar a organizar a nossa vida lá, no nosso primeiro dia como marido e mulher. 
Apesar da especulação ninguém estava à espera daquilo. Ficaram felizes, brindaram e gargalharam até às horas que quiseram.


O casal, mais o seu filho, no dia seguinte partiu para Manchester. A vida deles iria dar uma volta de 180º, mas estariam unidos para todo o sempre. 

3 anos depois:
Ana estava na sala quando vê os seus dois homens a passar da cozinha para o quarto 


- Meninos? - ela chamou, mas só Ezequiel voltou. 
- O Enrique está com pressa, diz que tem de arrumar os brinquedos para levar - estavam de férias de Natal e iriam para Madrid. Os pais de Ezequiel e Ana estavam lá a morar. O irmão dele tinha começado a jogar nos escalões da formação do Real e a vida deles eram feita em Madrid. 
- Há uma coisa que eu preciso que saibas. 
- Que se passa? - Ezequiel sentou-se ao lado de Ana.
- Mas também queria o menino aqui...
- Enrique Garay? - Ezequiel chamou pelo filho que segundos depois apareceu na sala. 
- Que fiz eu? - perguntou o pequeno. 
- Nada bebé, anda cá à mãe - Ana chamou-o, pegando nele e sentou-o nas suas pernas - eu é que tenho uma coisa para perguntar a ti e ao pai. 
- Pegunta. 
- O que é que achas...se tiveres uma mana?
- Ela vai bincar com os meus binquedos?
- Se tu deixares...
- Ela vem quando?
- Daqui a 7 meses... - Ana olhou para Ezequiel. Ele estava espantado, surpreendido, feliz...aquela cara dele era exactamente a mesma que tinha quando falou a primeira vez com Enrique na barriga de Ana. 
- Isso ainda demora! - Enrique saltou do colo de Ana para o chão - Onde é que ela tá?
- Na barriga da mãe - respondeu-lhe Ezequiel. 
- E como é que ela foi pa lá? Eu também quero! A mãe é minha! - o menino ficou confuso e começou a mexer na barriga de Ana. 
- Enrique...a mãe é dos dois - começou Ana - e a mana ainda é muito pequenina. Ela veio cá para dentro porque a mãe e o pai quiseram muito. Como quisemos muito que tu também cá estivesses. 
- Eu também tive aí?
- Sim. Há muito tempo. Foste o primeiro a estar lá dentro. 
- Sou o peferido?
- São os dois, mas tu és o mais velho. Vais ter de tomar conta da mana. 
- Não. O pai toma - Enrique saiu da sala, deixando Ezequiel boquiaberto. 
- Pronto. Já sabes, tens de ser tu a tomar conta da tua filha. 
- Porque é que não me disseste nada?
- Olha...andei a digerir tudo...e estava com medo da reacção dele. 
- Agora vamos ser quatro...
- Quatro... - Ezequiel beijou Ana e os dois ficaram ali na sala enquanto Enrique arrumava os seus brinquedos na mala. 

Horas depois: 
A caminho do aeroporto Ana partilhou uma fotografia no seu twitter: 

A caminho de Madrid, vamos ter com os avós e contar-lhes da mana. #SomosQuatro
Quando se pensa que a vida não pode melhorar mais, é quando surge algo que a faz ficar mais brilhante. 
Ana e Ezequiel tiveram isso. Sempre. Quando pensavam que iam ficar um sem o outro, eis que um ano depois se voltaram a unir. Quando pensaram que estavam a viver uma fase de afastamento, eis que um bebé surge. Quando casaram nunca pensaram que três anos depois estariam a ter uma vida tranquila em Manchester e agora com uma menina a caminho. 
Eles não sabem o futuro, nem o querem saber. Só querem ser felizes enquanto o amor deles for igualzinho ao do primeiro dia em que se viram.
Porque o amor deles é eterno, assim como as suas almas. Não é um: viveram felizes para sempre. É um: viverão felizes enquanto a alma deles estiver unida. E as almas, depois do corpo morto, continuam vivas. Nem que seja para aqueles que os amam, enquanto pais, enquanto filhos, irmão, primos, amigos. 
A vida deles...voltou a começar. E tem tudo para continuar a superar qualquer felicidade. 



FIM

Olá!
Bom, talvez não estivessem à espera disto...a verdade é que andava a ficar sem ideias e com cada vez menos tempo e ideias para as outras fics mais recentes. Decidi terminar esta. Por agora...pode ser que surja algo mais tarde. Espero as vossas opiniões.
Quero agradecer-vos por todo o carinho ao longo deste ano, destes 50+1 capitulos.
Muitos beijinhos.
Vamos falando por aí.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

50º Capitulo: Avó Maria Rosa

Olá leitoras queridas!
Hoje, dia 10/10/2013 celebra-se o aniversário do nosso Ezequiel. Faz 27 anos este grande ser humano. A ele os meus/nossos parabéns. Porque a vida ainda lhe tem muitas coisas reservadas pela frente, muitos sorrisos, muitas horas de felicidade, outras menos boas, mas cada momento será feito à sua medida. E ele, com aquele sorriso, irá ultrapassar tudo, seja qual for o obstáculo. FELIZ CUMPLE EZEQUIEL MARCELO GARAY GONZÁLEZ.
Hoje, dia 10/10/2013 celebra-se, também, o primeiro aniversário da fic. É verdade, à um ano atrás estava eu a publicar o primeiro capitulo desta história que hoje tem aqui o 50º capitulo como prenda para vocês, porque é a vocês que este presente tem de ser dado.
Muito obrigada a todas que têm estado desse lado a ler, a comentar, a dar-me ideias e a acarinhar-me. Muito, muito obrigada.
Espero que gostem deste capitulo. É muito emotivo (penso eu). Chorei ao escreve-lo, mas ainda não o sei definir. Não sei se é uma homenagem ou um agradecimento à avó Maria Rosa.
Espero pelos vossos comentários no fim. Besos e mais uma vezes muito obrigada.
Ana Patrícia.

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Estavam todos em casa de Ana e Ezequiel. Os pais de ambos e os irmãos de Ezequiel que se deliciavam com o sobrinho. 
- Mano nós podemos jogar consola? - perguntou Ignacio a Ezequiel. 
- Claro que podem - os dois foram jogar já que ver o sobrinho a dormir tinha perdido o interesse. 
Ana sentia-se bem por estar em casa. Com o seu filho e rodeada de todos aqueles que tanto a ajudam. Mas, mesmo assim, estava com o pressentimento estranho. Não se sentia confortável...sentia que algo iria acontecer. 
Quando Ayelen, a sua sogra, se ausentou para atender uma chamada, decidiu descontrair. Falar mais com Ezequiel e com os pais em vez de pensar que algo estava para a acontecer.
Ana falava com os seus pais, que a informaram de que ficariam com eles até ao final do mês. Seria mais fácil acompanhar o neto e dar alguma assistência a Ana. Os seus pais comentaram também que ficaram surpreendidos com o à vontade de Ezequiel a cuidar do filho. Para ele era mais fácil já que quando a sua irmã mais nova nasceu ele tinha 18 anos e sempre ajudou os pais a tomar conta dos irmãos.
Ayelen regressara à sala, vinha um pouco abatida o que despertou a atenção de todos na sala. 
- Que se passa mãe? - perguntou Ezequiel, indo ter com a sua progenitora.
- É a avó. 
- O que é que se passa com a avó Maria? - inquiriu Ignacio, despertando para a conversa.
- A avó piorou - Ana sabia, Ana tinha sentido que algo não estava bem. Maria Rosa, a avó de Ezequiel, Ignacio e Floréncia, estava internada à já um mês com um problema de saúde muito grave. 
O ambiente tinha sofrido uma volta de 180º. Era preciso ir para Buenos Aires para estar com a avó, era preciso estar ao lado dela quando mais precisa. Todos tinham imensas perguntas a fazer: porque neste momento? Porque coisas tão distintas a acontecer ao mesmo tempo? Quão pior será o estado da avó Maria? 
Ninguém conseguia falar...ficaram todos minutos sem dizer nada e sem se movimentarem, mas Ana...Ana sabia o que é que tinha de ser feito. Sabia o que tinha de dizer. 
- Vou arranjar viagem para vocês para Buenos Aires - começou Ana, levantando-se e ficando junto de Ezequiel - têm de ir ter com ela. A avó Maria precisa do vosso amor lá para ficar boa. Vão arrumar as coisas, eu compro os bilhetes e telefono ao Benfica a avisar que precisas de uns dias. 
- Fazias isso Ana? - inquiriu Ayelen. 
- Faço. Vão arrumar as vossas coisas. Eu vou com o Ezequiel até ao quarto para ir ao computador. Mãe, dá um olhinho pelo Enrique - Ana tentava manter a cabeça orientada para não se perder. Sabia que era aquilo que tinha de ser feito...por muito que soubesse que iria ficar sem Ezequiel do seu lado. 
Todos foram até ao andar de cima para arrumarem as coisas e para Ana comprar os bilhetes de avião. 
- Ana... - começou Ezequiel, parando de arrumar as coisas - o Enrique...
- Ezequiel, vais ter com a tua avó. Eu fico bem com o Enrique e com os meus pais. Ele amanhã tem a consulta da médica e eu vou pedir-lhe que nos dê autorização para ir ter convosco. 
- O que? Não Ana é uma viagem muito longa.
- Por isso tenho de lhe pedir autorização. Se ela ma der, nós vamos ter com vocês. A tua avó tem de conhecer o Enrique, eu quero que ela o conheça. Sei que pode ser bom para ela, ver o bisneto saudável. Ela só esteve uma vez comigo mas tratou-me como se fosse neta dela. Eu quero fazer isto por ela Ezequiel. Deixa-me faze-lo. 
- Ana...eu não tenho palavras...isso seria a melhor coisa que poderias fazer-lhe. Ela iria adorar conhecer o Enrique, e o meu avô também. Se a médica não o deixar tu ficas. 
- Não Ezequiel...se ela me disser que é mau para a saúde do menino é óbvio que não o faço, mas se ela me disser que não o posso fazer só porque a viagem é muito longa eu faço-o na mesma. Eu quero estar contigo. E quero que a tua avó esteja com o Enrique. 
- Ana...
- Ezequiel, tu confias em mim, não confias?
- Confio. É claro que confio. És uma das pessoas em quem mais confio. 
- Então limita-te a confiar em mim. Preocupa-te em estar com a tua avó que eu vou tratar de tudo o resto. 
Ezequiel sentia-se a pessoa mais afortunada do mundo. Tinha com ele a pessoa mais generosa que conhecia. Para ele, Ana era um modelo de pessoa a seguir. Para ele, ela conseguia solucionar qualquer problema, mesmo quando lhe pareciam mais difíceis. 
O casal tratou de tudo: Ezequiel de se despachar para ter tudo arrumado e Ana para lhes arranjar voou o mais depressa possível. Iriam partir às 20h. Fariam escala em Madrid e depois 9 horas de viagem até Buenos Aires. 
Na hora da despedida, Ezequiel não sabia o que sentir. Ia perder a primeira noite do filho na sua casa, não ia estar presente caso o menino voltasse a dar uma noite complicada. Mas, por outro lado, iria estar com a sua segunda mãe. A avó que o ajudou a crescer, que sempre acreditou que seria jogador de futebol mesmo quando as coisas não corriam de feição. 
- Assim que chegarem avisem - pediu-lhe Ana, dando mais um beijo a Ezequiel. 
- Não te preocupes. Obrigado Ana. 
- De nada mi rey
- Te amo my reina
- Y yo te amo a ti - Ezequiel voltou a beijá-la para, de seguida, beijar a testa do filho. 
- Toma conta da mamã, mi hijo. E porta-te bem - Ana deixou uma lágrima escapar-lhe. Também para ela era um momento difícil, não o queria mostrar porque sabia que era o melhor que tinha feito. Ela queria ter Ezequiel com ela, mas tinha ainda mais certezas de que ele, e os seus familiares, estariam muito melhor ao lado da avó Maria. 
Todos se despediram e acabaram por sair em direcção ao aeroporto. Ana, Enrique, Rosa e Roberto ficaram. Rosa, a mãe de Ana, sabia que a filha era a mulher que hoje demonstrou ser. Já o seu pai, surpreendia-se cada vez mais com a mulher que a sua filha era. 
- E agora Ana? - perguntou-lhe a mãe. 
- Agora...vamos esperar até à consulta de amanhã do Enrique com a pediatra. Se ela nos autorizar eu vou com o menino para a Argentina ter com eles. 
- Vais o que? - Roberto ficou mais que boquiaberto.
- Vou. Se formos autorizados, nós vamos. O Ezequiel merece que esteja ao lado dele. Não sabemos quão pior é o estado da D. Maria, mas eu quero que ela conheça o Enrique. 
- Eu acho isso um disparate - comentou o pai. 
- Podes achar o que quiseres. Eu sou responsável pela minha vida e vou seguir as minhas ideias. 
- A Ana tem razão Roberto - a mãe de Ana, que até agora permanecia em silêncio, foi contra a ideia do seu companheiro - ela sabe o que faz. Quando somos mães pensamos pela vida de duas pessoas, mas mais pela vida daquele ser que trouxemos ao mundo. Se a Ana quer fazer isto pela avó do Ezequiel, pelo Ezequiel e também pelo Enrique, ela vai faze-lo e tem todo o meu apoio. 
- Obrigada mãe. 
O pai nada disse e até ao fim do dia nunca mais tocaram no assunto. 
Ana dedicou o resto do dia ao filho. Quis o carinho dele para esperar as notícias de Ezequiel. Quando foram dormir ainda não tinham notícias da chegada deles a Buenos Aires. Deveriam chegar lá cerca das seis da manhã e Ana decidiu descansar. 

Na manhã seguinte: 
Eram sete horas quando Enrique acordou. Tinha conseguido dormir a noite toda, o que surpreendeu Ana. Quando acordou e deu de mamar ao filho, pegou no telemóvel vendo que tinha uma mensagem de Ezequiel. 

«Já chegámos e já vamos para o hospital. Quando terminar a consulta do menino diz qualquer coisa. Te amo mi vida.» 

Ana ficou aliviada por tudo estar bem e despachou-se. Tinham de estar na médica às nove da manhã. Ainda vestiu a roupa de grávida. Nenhuma outra lhe servia e só naquela estava à vontade. 


Depois de tomar o pequeno-almoço com os pais foi, com eles, para a clínica da médica que sempre os seguiu e que seria a pediatra de Enrique, a Sara.
Fez-lhe imensos testes. Pesou-o, mediu-o, examinou-o da cabeça aos pés para ver se tudo estava certo com o menino. 
- Tens aqui um menino perfeitamente saudável - Ana recebeu o filho nos braços e ambas se sentaram à secretária. 
- Está mesmo tudo bem?
- Sim. Recebi também os exames que lhe fizeram ontem antes de saírem do hospital e as plaquetas dele estão a níveis normais. Não têm nada com que se preocupar. 
- Que bom - Ana olhou para o filho para, de seguida, olhar outra vez para Sara - Queria saber uma coisa...
- Diz, sabes que estou aqui para tirar-te todas as dúvidas. 
- Sim...é que a avó do Ezequiel está no hospital e ontem o estado dela piorou. Ela está na Argentina e o Ezequiel foi ter com ela mais os pais e os irmãos. Achas que o Enrique pode fazer a viagem? 
- É uma viagem muito longa Ana...
- Sim...eu sei disso, mas pode ser prejudicial para ele?
- Não. Vai ficar baralhado com os horários e terás de lhe proteger os ouvidos por causa do barulho do avião...mas eu tenho de te perguntar: o problema da avó do Ezequiel é algo que o bebé pode apanhar via aérea? 
- Não...a D. Maria sofre do coração e ultimamente tem tido mais ataques de hipertensão que a fizeram ir para o hospital. 
- Eu não costumo aconselhar este tipo de viagens para bebés tão pequenos como o Enrique. Mas, tendo em conta o vosso caso, eu vou dar-te a autorização para ires. Ele vai levar uma vacina para o proteger mais e vou dar-te uma lista de coisas que deves fazer no avião.
- Obrigada Sara, obrigada mesmo. 
- Não me agradeças. Espero que fique tudo bem com a avó do Ezequiel. 
Ana passou uma hora com Sara a receber imensos cuidados a ter com Enrique na viagem. O menino recebeu também a vacina para o proteger contra vários tipos de bactérias e, quando saíram da consulta, Ana avisou os pais que iria ter com Ezequiel. Mandou mensagem também a Ezequiel e tratou de começar a preparar tudo. As coisas de Enrique e as duas. Tratou também do passaporte do filho e conseguiu ter tudo a tempo até à hora do voo. 

10 horas depois: 
Ana saíra de Portugal às 15h. Fez escala em Madrid e aterrou em Buenos Aires quando era meia noite em Lisboa, nove da noite na Argentina. Ezequiel iria esperá-la ao aeroporto e assim que a viu apressou-se a ir na sua direcção. 
Ana só se quis abraçar a Ezequiel. Estava cansada, por muito que ela e Enrique tivessem dormido no avião tinha sido uma viagem muito cansativa. 
- Como é que correu? - perguntou Ezequiel, olhando para Enrique que estava dentro da alcofa. 
- Ele esteve a dormir durante grande parte da viagem, acordou quando faltavam duas horas de viagem, mas cansou muito.
- Vamos, agora vão descansar e...Ana, muito obrigado por teres vindo.
- Ezequiel, não tens nada que agradecer meu amor. Já sabes porque o fiz e voltaria a tomar a mesma decisão. 
Ezequiel beijou Ana e pegou na alcofa do filho e numa mala, para saírem dali. Foram para casa dos pais de Ezequiel, onde ele tinha ficado, e assim que chegaram Ana sentiu-se logo à vontade. Era a segunda vez que ali estava. Na primeira tinha conhecido Maria, estava grávida de seis meses e logo adorou aquela senhora. 
Não desfez malas nenhumas, apenas alimentou Enrique, adormeceu-o e deitou-se ao lado de Ezequiel. 
- Como é que está a tua avó? 
- Estabilizou um pouco...está fraquinha, mas quando lhe disse que vocês vinham a caminho ficou felicíssima. 
- Amanhã vamos lá logo de manhã?
- Queres ir? Não preferes descansar e ir só de tarde?
- Vamos descansar a noite toda...amanhã de manhã estarei como nova - Ana aninhou-se no seu noivo, preparando-se para dormir - estarei aqui a teu lado meu amor, podes falar comigo quando precisares...agora precisas?
- Não. 
- Então vamos dormir, que amanhã é outro dia. Te amo mi vida - Ana deu um beijo nos lábios de Ezequiel, voltando a aninhar-se nele. 
- Yo te amo mi reina

No dia seguinte:
Acordaram com o choro de Enrique, estava na hora de comer. Enquanto Ana dava de mamar ao filho, Ezequiel beijava as costas da noiva. 
- Já aprendeu a não chorar de noite.
- Já. Estamos com sorte. 
- Estamos sim. 
Ezequiel, quando viu que Enrique já não iria beber mais leite, retirou o menino dos braços de Ana para que ele, Ezequiel, fizesse com que o filho arrotasse. 
Depois de tratarem de Enrique, trataram deles. Foram tomar banho em separado, ainda não se sentiam à vontade em deixar Enrique sozinho. Estavam despachados eram oito e meia da manhã e desceram até à cozinha com Enrique no ovo. 
Os irmãos de Ezequiel e os seus pais já estavam na cozinha também. Todos se cumprimentaram e tomaram o pequeno-almoço. 
- A avó vai conhecer hoje o Enrique? - perguntou a Flor. 
- Vai - respondeu-lhe o Ezequiel.
- Ana... - começou a Ayelen - ainda não tive oportunidade de o fazer, mas quero agradecer-te pelo que estás a fazer. A minha mãe ficou muito feliz de saber que o bisneto a vinha conhecer - a Ayelen estava emocionada. Ana sentia-o. 
- Não tem nada que me agradecer. Fi-lo porque era o mais correcto a fazer. Só estive uma vez com a D. Maria, nesta mesma cozinha, e ela tratou-me como uma neta. Por isso tinha de o fazer. 
- A avó gosta muito de ti - disse o Ignacio. 
- Sim, ela disse que era a melhor rapariga que o Ezequiel poderia ter arranjado - completou Florencia, fazendo com que Ana se emocionasse. 
- Vamos então despachar-nos para irmos ter com a avó Maria? - perguntou ela, fazendo com que os garotos começassem a comer mais depressa. 
Quando todos estavam despachados, seguiram para o hospital. 
Ana foi com Ezequiel no carro que ele tinha em Buenos Aires, tinha a cadeirinha de Enrique no banco traseiro e era aí que Ana ia, com Enrique e Florencia que quis ir com eles.
Chegaram ao hospital e todos se encaminharam ao quarto onde estava a avó Maria. Ana levava Enrique nos braços, Ezequiel ia ao lado deles com o saco do filho. Ayelen e Juan entraram primeiro, depois os irmãos de Ezequiel e por fim Ana, o noivo e o filho. 
Encontrou um cenário...completamente oposto ao que esperava. Tinha ali, a olhar-lhe, uma senhora com um sorriso encantador...um sorriso igual ao de Ezequiel. Encontrou também o avô de Ezequiel a segurar a mão de Maria. Ana queria que um dia fosse assim: que estivesse sempre com Ezequiel do seu lado. Pensava que estaria um ambiente mais triste, mas aquela senhora era uma verdadeira lutadora.
Todos cumprimentaram Maria, ficando Ana para o fim.
- Minha querida... - a voz de Maria não estava igual, estava mais fraca do que na primeira vez que se conheceram, mas tinha um brilho nos olhos que fez Ana sorrir. 
- Como é que se sente? - Ana sentou-se na cadeira que estava ao lado da cama da senhora, agarrando-lhe na mão. 
- Muito feliz por estarem todos aqui. 
- O Enrique quer muito conhecer a bisavó - Ana deixou uma lágrima escorrer-lhe pela face. 
- Então minha querida? Que é isso? 
- Desculpe...Maria, eu queria muito agradecer-lhe por tudo. Por ter sido uma segunda mãe para o Ezequiel, para o ter encorajado a seguir os sonhos dele. Agradeço-lhe porque sei que ele é parecido consigo. Quero que esteja na vida do Enrique sempre e vir aqui era a melhor maneira de criarem uma ligação os dois - todos naquele quarto estavam emocionados. 
- Cuidarei do vosso pequeno aconteça o que acontecer. Eze vem cá à avó, filho - Ezequiel aproximou-se de Ana, ajoelhando-se ao lado dela agarrando também na mão da sua avó - vocês vão ser muito felizes e eu só espero estar cá para ver essa felicidade também. 
- Vais estar abuela - Ezequiel não queria que a avó falasse aquelas coisas, era como se se estivesse a despedir mas, naquele momento, era altura de conhecer o bisneto e não de se despedir de ninguém.
- Tome - Ana levantou-se e passou Enrique para o colo de Maria. A senhora segurou-o com uma segurança imensa, com um sorriso maravilhoso e orgulho de ser bisavó. 
- Têm aqui um menino tão lindo. Muitos parabéns - disse o avô de Ezequiel, aproximando-se também.
- É mesmo bonito o nosso bisneto, Francisco. 
Naquele momento gerou-se um silêncio, mas um silêncio que vinha com amor, carinho, felicidade e muito orgulho. Foi uma manha para registar cada segundo do Enrique com os bisavós. 







Ana queria ter o máximo de fotografias de Enrique com os bisavós. Queria que cada momento deles ficasse marcado. Só assim aquela viagem teria sentido. Só assim iria ficar registado no álbum de Enrique a primeira vez que esteve com a avó Maria e o avô Francisco, ficaria também registada a primeira vez que esteve na Argentina com a família da parte do pai toda junta. 
Era um momento complicado porque viam que Maria estava a ficar cada vez mais fraca, mas mantinha aquela felicidade no rosto, aquele sorriso permanecia, aquele brilho nos olhos também. E era assim que todos queria estar, não havia um único que não estivesse sem um sorriso. Só assim era possível manter todo aquele ambiente num quarto de hospital.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

49º Capitulo: "(...)sou babado pelo nosso filho e tenho muito orgulho nisso"

E foi à segunda noite de vida de Enrique que Ana e Ezequiel descobriram que o filho de ambos não é assim tão calmo. Enrique teve uma noite complicada e deu pouco descanso aos pais. Tinha cólicas, fome, não tinha sono...e decidiu que ninguém naquele quarto iria dormir. Ezequiel tentou acompanhar o filho nas suas necessidades e Ana tentava de tudo para as satisfazer. Queria ajudar o filho a ficar calma, queria que ele adormecesse para que o menino pudesse descansar e, também, para ela e o seu noivo descansarem um pouco também.
Só quando eram quatro e meia da manhã é que naquele quarto permaneceu o silêncio. Enrique tinha, finalmente, adormecido à já meia hora, junto da mãe. Adormeceu porque o pai lhe fazia festas na barriga e a mãe na cabeça. Ezequiel acabara por adormecer junto da cama de Ana, sentado no cadeirão, mas nem por isso Ana o acordou.
O sossego de Enrique durou até às sete da manhã. Acordou porque tinha fome e tinha de acordar a mãe para comer. O pai...esse continuava a dormir nem o choro, de curta duração, de Enrique o fez acordar.
- Porque é que não sais-te ao dorminhoco do teu papá? - perguntou Ana a Enrique, beijando-lhe a testa.
Ana passou a amar ficar simplesmente a contemplar o filho. Sentia uma felicidade que nem ela sabia que existia, ela não a sabe explicar. Sente-se uma pessoa realizada por ter trazido ao mundo o pequeno ser que simboliza aquele amor...o amor de duas pessoas que se apaixonaram no primeiro instante que se viram. O amor das duas pessoas que passaram um ano sem se ver, um ano sem se tocarem, mas que hoje são mais unidos do que algum dia o pensaram ser.
Depois de alimentado, Enrique voltou a adormecer. Desta vez no berço que, dentro de horas, deixará de ser o seu. Na tarde do dia de hoje, em principio, mãe e bebé deixam o hospital.
Ezequiel dormia recostado no cadeirão. Era mais confortável que uma cadeira mas menos que a sua cama. Ana foi ter com ele beijando a bochecha do seu noivo que, assim, acordaria. Antes que pudesse falar algo, Ana sentou-se no seu colo ficando com a cabeça encostada no peito de Ezequiel.
- Onde é que o miúdo foi a aprender a chorar até às quatro e meia da manhã? - inquiriu Ezequiel, massajando as costas de Ana.
- Não faço ideia...mas podia ter aprendido a ser dorminhoco contigo. 
- Mas ele agora está a dormir. 
- Porque já acordou para mamar. 
- A sério?
- Sim. Às 7 em ponto. 
- Não ouvi. 
- Estás cansado é normal.
- Não é normal não. Tu também estás exausta e ainda a recuperar e mesmo assim acordaste. 
- Oh...mas tu foste treinar ontem.
- Mesmo assim. Eu tenho de te ajudar - Ana, que permanecia encostada no peito do seu noivo, olhou-o.
- Mas tu ajudas-te imenso à noite. Ele adormeceu quando começamos a fazer-lhe festinhas. E dar de mamar não é uma cena que os homens consigam fazer. 
- Oh... - Ezequiel puxou a sua noiva para junto dele, beijando-a. Ana precisava de estar assim com Ezequiel, fazia-a esquecer a pressão de ser boa mãe, de estar só dedicada a aprender tudo para não falhar enquanto mãe. Fazia-a lembrar-se de que tem a sua relação com Ezequiel e que ele lhe desperta as suas necessidades enquanto namorada e mulher - ele hoje tem de ir tomar as vacinas, não é? - relembrou Ezequiel.
- Sim. A enfermeira vem buscá-lo às nove horas. 
- E ela já te disse a que horas tens alta, mais ou menos?
- Deve ser lá para o fim da tarde.
- Hoje já dormimos na nossa caminha - Ezequiel sorriu, roçando com o seu nariz no de Ana, que lhe sorriu também.
- Dormimos se o nosso bebé deixar. 
- Ele é tão lindo. É o bebé mais lindo que alguma vez vi. 
-Ai, ai...tanta baba - Ana deliciava-se com as palavras de Ezequiel. Sabia que eram verdadeiras porque ela própria sentia o mesmo pelo bebé deles.
- Sim, sou babado pelo nosso filho e tenho muito orgulho nisso - Ana levou as suas mãos até à cara de Ezequiel, beijando-o.
- Sou cada vez mais feliz ao teu lado Ezequiel. 
- Ainda andas com as hormonas todas baralhadas. 
- Não sejas parvo. Ando, mas sei o que digo!
- Sabes?
- Sei sim! Sei que me fazes mais feliz do que nunca. Sei que o nosso primeiro encontro na casa do Sergio não foi à toa. Tu foste para Madrid no mesmo dia que eu...tínhamos mesmo que nos conhecer. 
- É...mas eu ainda me lembro daquele teu: "esse teu espanhol irrita-me profundamente!" - Ezequiel tentava imitar a voz de Ana...coisa que foi impossível e só gerou gargalhadas entre os dois.
- E irritava! O espanhol só porque sabes bem que tinha assim uns problemas com o meu pai. Mas...lá no fundo eu só queria conhecer-te melhor. 
- É, mas mesmo assim ainda demorou um bocadinho até ficarmos juntos, juntinhos...
- Um ano. 
- Um ano em que eu vivi a enganar uma pessoa e a enganar-me a mim próprio. 
- Porque é que hoje nos está a dar para ir à dois anos atrás? 
- E já passaram dois anos desde o nosso primeiro encontro. 
- Tecnicamente é só em Agosto deste ano, mas sim...dois anos. 
- Temos de celebrar...
- É, já agora também celebramos a primeira vez que eu te vi a lavar os dentes na casa de banho. 
- Olha, era uma bela ideia. Ou então a primeira vez que eu te vi a pintar as unhas - estavam os dois a rir imenso até que se voltaram a beijar. Tinham acordado com aquela necessidade de estarem os dois a beijar-se. Mas...para se habituarem à nova rotina de família, o pequeno Enrique chorou - eu vou lá - avisou Ezequiel.
Ana saiu do colo de Ezequiel, que se levantou indo na direcção do filho. Falou para ele, derretendo por completo. Ezequiel sentia-se feliz por ser pai. Por ter o seu filho, o filho que o unirá para sempre a Ana, a mulher da sua vida. Ezequiel pegou no filho ao colo embalando-o.
- Tenho a sensação que ele sabe que vai levar as vacinas e não quer ir. 
- Se for como a mãe que para tirar sangue é preciso sei lá o que...
- Ei...até parece. Na noite em que ele nasceu não foi assim. 
- Estavas anestesiada da cintura para baixo e tão cansada que nem deves ter sentido nada - Ana sabia que aquilo era verdade...e não se atrevia a dizer nada.

Mais tarde nessa manha Enrique foi levar as vacinas que o iriam proteger nos primeiros meses de vida. Segundo a enfermeira, tinha sido um valente menino que apenas mexeu as pernas quando sentiu a seringa entrar na sua pele. Ezequiel aproveitou para partilhar a notícia pelo twitter:

Portou-se que nem um menino grande na hora das vacina. Te amo mi hijo! 
Passaram o resto dia em família. Tanto os pais de Ezequiel, como os de Ana estiveram presentes até à hora de saírem do hospital. Ana tinha-se vestido, um fato treino para não se sentir apertada, e estava a preparar Enrique. 
- A Tamara e o Gonzalo pediram se podias vestir uma coisinha ao menino - falou Ezequiel e Ana só pensava no que é que os padrinhos do seu filho tinham pensado.
- O que? - Ezequiel foi até ao saco de Enrique e tirou de lá um body que Tamara e Gonzalo lhe tinham dado no dia anterior. Ambos já tinham ido para Madrid, assim como Sergio. 
- Toma.
- Que máximo - todos na sala se riram, mas Ana achava que aquilo era fofo e perfeito para o seu bebé. Porque, para ela, aquela é a realidade.

Porque agora, somos três em forma de uma família linda
E assim Ana partilhava no Twitter a sua saída do hospital. 
Chegados a casa, o ambiente tornava-se muito mais acolhedor. Eram as coisas deles, a casa deles, tinham o quarto de Enrique que não o iria utilizar por ficar a dormir no quarto dos pais, mas já o tinha feito. 


Era um momento perfeito. Estavam em família em plena felicidade. Será que esta felicidade será a mesma daqui a meia hora? 

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

48º Capitulo: "Como é que dois feios fizeram uma coisa tão linda?"

Maior felicidade que a minha? Duvido que haja. Estou num estado de felicidade que nada, nem ninguém o poderá destruir. Sou completamente independente financeiramente dos meus pais, graças ao trabalho com o salão. Tenho tido imensa sorte, fez-me crescer, fez-me seguir horários mas gostar de os seguir porque estou a fazer o trabalho que gosto. 
A nível pessoal não poderia ser melhor. Os meus pais a viverem juntos, de novo, em Madrid, o Sergio recuperou a 100% do problema que teve, passou a ser descomprometido...mas se é para a felicidade dele estamos bem com isso. Estou noiva. Do melhor homem que existe à face da terra.
Ezequiel Marcelo Garay González. O meu rei, a minha metade, o meu oxigénio, namorado, noivo, futuro marido...e pai do meu Enrique. "Enrique Garay", iria ser assim o nome dele mas, como eu quero usar o Garay quando casarmos, decidimos que o menino ficaria González para ter o apelido dos avós paternos. 
Tivemos a visita dos avós do lado do pai, dos tios e da tia Tamara e era esperado que, de Espanha, viessem só os meus pais...mas não foi o que aconteceu. Quando a minha mãe disse que tinha uma surpresa e que a ia buscar, quem entrou pela porta dentro não era o que eu estava à espera.
- Pequeña mamacita - com um sorriso que lhe é sempre característico aparece o Sergio, com o Gonzalo (Higuain). Não estava nada à espera que eles viessem, mas foi uma surpresa maravilhosa. 
- Que é que estão aqui a fazer? - estava mesmo muito surpreendida. Tentei levantar-me sozinha, mas só o consegui fazer com a ajuda do Ezequiel. 
- Achas mesmo que íamos esperar até termos folga para vermos o pequeño? - respondeu-me o Gonzalo. 
Eu, esperando que viessem os dois ter comigo, foram logo em direcção do berço do Enrique. Estavam os dois debruçados sobre o bebé e era notória a felicidade deles. 
- Como é que dois feios fizeram uma coisa tão linda? - perguntou o Sergio, pegando na mão do Enrique. O menino começou a chorar.
- Acho que ele não gostou que chamasse feios aos pais. Porra, ainda agora viste o puto e ele já está a chorar por tua causa - disse o Gonzalo. Meu Deus, isto com eles os dois vai ser para rir - pronto...bebé do padrinho, o teu tio é um parvalhão e só diz asneiras. A tua mamã e o teu papá são tão lindos como o sol!
- Estás a tentar remediar, mas ele sabe que não se pode olhar para o sol - atirou o Sergio, a rir-se e o Enrique deixou o choro para soltar um barulho seu - o puto tá a rir! 
- Não está não! Ele só está com gases - eles os dois estavam entretidos e o Ezequiel juntou-se a eles. 
- Vocês querem o que do meu filho? - perguntou ele. 
- Eu acho que não é teu filho... - atirou o Sergio. 
- Como se isso fosse possível. O Enrique é a cara chapada do Ezequiel. Consegue é ser mais bonito que ele. 
- Mas isso são todos os bebés - atirou a minha mãe, fazendo com que todos olhassem para ela, fazendo o Sergio rir-se que nem um perdido. 
- Tia, há bebés que parecem uns ET's quando nascem.
- Devias ser tu! O meu Enrique não é nenhum ET - disse o Ezequiel.
Eu e o meu pai apenas assistíamos àquilo tudo. Tinha-me apoiado nele, já que me sentia ainda um bocado dorida. 
- O Sergio era feio quando nasceu, por acaso - afirmou a minha mãe. 
- Tia, a minha genética é: quanto mais velho melhor. Por isso é que elas andam todas doidas atrás de mim - a gargalhada foi geral, mas o Enrique começou a chorar, de novo.
- Ele secalhar está com fome - o Gonzalo virou-se para ele mexendo-lhe na barriga, o que o acalmou.
- O puto está é com gases e vai abrir-se para ti! É a prendinha para o padrinho! - o Sergio mexeu na cabeça do Gonzalo, gozando com ele. 
- Vê lá se não é para o tio! - atirei. 
- Tu é que sabes o puto que tiveste. Achas que é para o padrinho ou para o tio? - perguntou. 
- Não sei...mas acho que ele não te acha piada nenhuma. 
- Diz que sim...ele vai achar muita piada ao tio - o Sergio debruçou-se sobre o berço, fazendo festinhas também ao Enrique - e vamos aprender umas coisas com o tio não vamos? - ele fez a pergunta ao Enrique de forma tão babada que me surpreendeu. 
- Deus queira que ele não te esteja a ouvir! - começou o Ezequiel. 
- Podes crer...para chato já bastas tu! - o Gonzalo acrescentou, mas nenhum dos dois se movimentou. 
Ficaram ali ainda uns minutos os dois a "babar" para cima do meu filho. Os meus pais foram comer qualquer coisa e eu agarrei-me ao Ezequiel.
O Enrique é novidade e para eles os dois ainda mais. Tanto o Sergio como o Gonzalo desejavam conhecer este bebé o mais depressa possível e estão a demonstrar que vão ser tio e padrinho completamente babados. 
- Seus monstros de baba! Estão aqui à quase vinte minutos e quase que não falaram a mais ninguém a não ser ao Enrique - falei, fazendo com que o Gonzalo e o Sergio olhassem para mim. 
- Ei, tanto ciúme, raio da miúda! - disse o Sergio como se não se preocupasse e apenas continuou a olhar para o Enrique. Já o Gonzalo veio ter comigo e com o Ezequiel.
- Já que sou o padrinho vou demonstrar mais carinho que o tio. Anda cá sua mãe babada - o Gonzalo abraçou-me, dando-me um beijinho na bochecha - muitos parabéns pelo menino, Ana. 
- Gracias por tudo, Gonzalo! - senti o Ezequiel a abraçar-me também e, por isso, eu fiquei no meio deles os dois. 
- Abraço de grupo! - disse o Ezequiel. 
- Falto eu, falto eu! - o Sergio, esse sim é um ciumento! Senti-me a ficar encurralada, era eu no meio deles os três...sentia-me sufocada! 
- Epá ainda agora fui mãe e já querem que eu me vá para ficarem com o meu filho? - todos gargalharam e afastaram-se. Todos...menos o Sergio que decidiu fazer a pior coisa da sua existência: pegar-me ao colo e rodar comigo. Sempre me fez isso, mas com as dores que eu tenho...não é lá grande diversão - Sergio, põem-me no chão imediatamente! - consegui implorar que ele me metesse no chão e quando o fez, foi impossível não soltar uma lágrima. 
- O que é que eu fiz? - perguntou ele meio aflito. 
- São as dores... - respondeu o Ezequiel, abraçando-me por trás. Senti o meu corpo relaxar e as dores tornarem-se um bocadinho menos intensas. 
- Oh pequeña desculpa...
- Tu não sabias, não tem mal...ajuda-me a deitar, Ezequiel. 
Lá me deitei, a muito custo, e o Sergio ficou ao meu lado. 
- Desculpa mesmo, pequenina. Eu não sabia. Pensei que estivesses bem.
- E eu estou bem, mas tenho dores do parto Sergio...as coisas não desaparecem de um dia para o outro...não te preocupes, a sério - nisto começa o Enrique a chorar.
- Ele deve querer mamar, Ana. 
- Agora? - senti-me a desesperar. Tinha de o fazer, é óbvio, mas não era mesmo boa altura. 
- Parece que sim...
- Nós vamos até lá fora - avisou o Gonzalo, saindo com o Sergio. 
O Ezequiel pegou no Enrique colocando-o no meu colo. Preparei-me para dar de mamar ao menino e, contrariamente ao que pensava, ele não me aleijou tanto como as primeiras vezes. 

Horas depois: 
Os meus pais, o Sergio e o Gonzalo passaram cá toda a tarde. Parte dela estivemos sem o Ezequiel. Ainda não tinha avisado o Benfica do que tinha acontecido e foi lá durante a tarde para os informar que hoje não ia ao treino e que amanhã só iria da parte da tarde, já que de manhã vamos para casa. 
Quando a hora da visita terminou voltámos a ficar os três sozinhos num ambiente a que eu já me acostumava. O Ezequiel super pertinho de mim sentado na cadeira com o Enrique deitadinho ao meu lado, no meio de nós.
- Esta felicidade não vai acabar pois não? - perguntou o Ezequiel, pegando na minha mão. 
- Eu espero que não...e que vá aumentando de dia para dia. 
- Temos tudo para que isso aconteça não?
- Sim...temos mesmo - ele beijou-me, levantando-se - onde vais?
- Estou com fome e trouxe umas bolachas de casa - ele foi até ao saco dele e retirou de lá o pacote das bolachas que nas ultimas semanas da gravidez eram o meu desejo: bolachas tipo americanas com pepitas de chocolate. Ele voltou a sentar-se na cadeira, abrindo o pacote - queres? 
- Não...acho que enjoei disso.
- Diz que enjoaste - ele lá comeu as bolachas dele, eu dei de mamar ao Enrique e adormeci o menino. Que só adormece quando me levanto e me ponho a andar com ele de um lado para o outro. 
Quando me voltei a deitar e olhei para o Ezequiel, o pacote das bolachas tinha desaparecido.
- Dá-me lá uma bolacha - pensando eu que ele já as tinha arrumado. 
- Queres...uma bolacha?
- Sim, dá lá. 
- Mas não tinhas enjoado?
- Ezequiel, estava a brincar. Dá lá uma. 
- Eh...as bolachas já acabaram. 
- Ezequiel? - como é que ele, em quinze minutos tinha comido um pacote de vinte bolachas? - O que é que tu acabaste de dizer?
- Já não há bolachas. Sim, comi todas e não dei por isso. 
- Os outros eram os monstros da baba e tu viraste o monstro das bolachas? 
- O que é que queres? Estava com fome e, para não comer o que quero, refugiei-me nas bolachas. 
- Ezequiel!
- Que é que foi? É a verdade! Tou aqui à quase três semanas a pão e água, as bolachas são boas e fazem-me esquecer a minha vontade. 
- Então é por isso que todos os dias o pacote das bolachas ia. E tu dizias que era eu! Fizeste-me pensar que eu é que tinha acabado as bolachas e deves ter sido tu. 
- Sim era eu, mas o que é que queres...? Tu não me dás alimento. 
- Até parece...
- Ana, há três semanas que estou encostado na garagem. 
- Fogo, Ezequiel, agora só pensas nisso?
- Tou com falta.
- Oh monstrinho das bolachas...
- Agora sou o monstro das bolachas é? 
- És, e és só meu! - ainda que deitada, puxei o Ezequiel pela camisola, beijando-o. 
- E posso dar-te uma trinca, bolachinha? 
- Agora tenho cara de bolacha?
- Não...mas se sou o teu monstro das bolachas, tu és a minha bolachinha e devias deixar-me dar-te uma trinca. 
- Eu deixo.
- E dás-me uma mãozinha? 
- Queres a minha mãozinha para que? - o Ezequiel saiu da cadeira, deitando-se a meu lado e puxou o meu corpo para ele, de tal modo a ficarmos mesmo, mesmo agarradinhos.
Sabia bem o que ele queria, estamos completamente à vontade um com o outro, sabemos os segredos um do outro muito bem e sermos um casal que fala abertamente das suas...necessidades só nos facilita quando chega a hora H. Fui mãe nem há 24 horas, mas dar uma mãozinha ao meu noivo não faz mal a ninguém, muito pelo contrário...faz dele um homem mais satisfeito e eu contente por que sou útil mesmo mais incapacitada.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

47º Capitulo: "Ainda não sei se sei ser pai, estou a descobrir tudo mas devagar."

Ezequiel: 

Passámos a noite tranquilos. O Enrique era super calminho, acordou eram sete da manhã para comer mas durante toda a noite não acordou ninguém. E ainda bem porque a Ana precisava mesmo de descansar do parto, ela estava toda dorida e uma noite tranquila sem ter de acordar hora a hora por causa do menino era o melhor. 
Acordamos cedo, já estávamos habituados a tal, mas agora tínhamos um despertador que é a coisa mais perfeita que existe na terra. O nosso minimeu. O nosso príncipe que veio para o nosso mundo. O nosso filho. Aquele ser que desejamos conhecer nove meses e quando nascem são capazes de nos surpreender só porque são maravilhosos nos seus pequenos gestos. 
Contra a minha vontade interior tive de sair de ao pé deles por uns tempos, tive de ir buscar os meus pais e irmãos ao aeroporto. Chegaram era nove da manhã e trouxe-os de imediato para o hospital para verem a Ana e o Enrique. Antes que entrássemos todos no quarto onde eles estavam, entrei eu primeiro para ver se a Ana estava em condições de os receber. Ela poderia estar a dar de mamar e entrar ali com todos ela iria ficar incomodada. A Ana estava de pé a embalar o Enrique.
- Que é que já andas a fazer em pé? - perguntei-lhe aproximando-me dela, beijando a testa do Enrique. 
- Ele não adormecia, pedi ajuda à enfermeira que me ajudasse a levantar e ele adormeceu à pouquinho. Os teus pais?
- Estão lá fora, vim ver se estavas em condições para eles entrarem. 
- Ele mamou quando acordámos e ainda à bocado, tão depressa não deve querer. Vai lá chamar os teus pais e os miúdos. 
- Tá bom - virei-me, pronto para ir na direcção da porta. 
- Ezequiel?
- Diz princesa.
- Dá-me um beijo como deve ser.
- Queres um beijo, como deve ser? - aproximei-me dela, de novo, rodeando-a com os meu braços mesmo tendo o Enrique no nosso meio. 
- Sinto-me estranha e os teus beijos ajudam a mudar isso.
- Estranha...como assim?
- Não sei...gorda, inchada...parece que eram gémeos e o outro ficou lá dentro. 
- Princesa, é normal. Foste mãe ontem, não é como nas novelas que desaparece tudo no dia a seguir. 
- Eu sei... - ela estava um bocadinho em baixo. Deverá ser normal, ela sempre teve um corpo...perfeito. Curvas que me deixavam louco. Mas hoje está diferente, o que é normal. Tem o corpo da mãe do meu filho que acabou de nascer. 
- Princesa... - coloquei as minhas mãos na sua cara, fazendo-a olhar directamente nos meus olhos - vais recuperar o teu corpo depressa. Neste momento sentes-te diferente porque o estás, mas estás linda. És a pós-grávida mais linda que já vi. Esse teu brilho é diferente e eu acho...que dizer, tenho a certeza, que me apaixonei ontem por uma mulher diferente. Pela mãe do meu filho, aquela mulher que me faz sonhar tanto com o futuro, a mulher que será minha mulher, terá Garay no seu nome.
- Eu posso já ter tido o menino, mas olha que as hormonas ainda não foram ao sitio - ela ainda estava sensível...chorava, mas o que falei é do coração. 
- Gosto tanto quando ficas assim a chorar por estares feliz. 
- És tão especial Ezequiel...o que é que eu fiz para que um dia aparecesses na minha vida? 
- Não sei, mas foi bom que isso acontecesse. Dás-me o que eu nunca pensei receber de uma mulher. Dás-me o teu amor todos os dias, a tua amizade, o teu conforto, palavras boas num dia mau, deste-me um filho e o melhor sexo que tive em toda a minha vida - ambos nos rimos, mas ela sabia que era verdade. 
- Vais ter de ficar a brincar sozinho durante algum tempo...
- Não estás aleijada das mãos que eu saiba! 
- Ezequiel, olha o menino! 
- Ele não percebe...
- Diz que não percebe...depois se for um tarado sexual eu quero ver. 
- Quando tempo é que é de paragem?
- Um mês...
- Isso é para eu ter um ataque cardíaco, mas diz lá a verdade.
- É um mês Ezequiel. 
- Vou contratar uma substituta! - ela olhou-me com alguma rejeição - Sabes bem que nunca ninguém te vai substituir. 
- Acho bem! E...se nos portarmos bem pode ser que a coisa se dê antes. 
- Isso é que era de valor...
- É melhor ires chamar os teus pais - ela riu-se, mudando a conversa. A verdade é que já me tinha esquecido que os meus pais e os miúdos estavam lá fora.
- E ainda queres o teu beijo como deve ser?
- Claro que quero - um beijo como deve ser...demorado, longo e que acabam sempre na cama...mas aqui, teve de ser parado antes que alguma coisa se partisse. 
Fui abrir a porta, enquanto a Ana colocou o Enrique no berço. Quem também já se tinha juntado aos meus familiares era a Tamara, que estava com o saco que a Ana tinha em casa que era para levar para a Maternidade. Nunca fizemos o saco...quem o fez foi a Tamara, nesta manhã. 
- Entrem - avisei todos, que entraram. 
A Tamara ficou para último, ela já tinha estado com o Enrique pelo que deixou os meus pais entrarem primeiro no quarto com os meus irmãos. Fiquei com ela um pouco mais afastados a olhar para eles. 
Os meus irmãos nem cumprimentaram a Ana, foram logo ver o sobrinho. Já a minha mãe ficou a conversar com a Ana largos minutos. O meu pai...é sempre o mais calado. Falou com a Ana, mas quando a minha mãe foi ver o Enrique ele também foi e os dois choraram. 
- Como é que é ser pai? - perguntou-me a Tamara, afastando-me daquele cenário. 
- Ainda nem sei...o Enrique é perfeito. Ainda não sei se sei ser pai, estou a descobrir tudo mas devagar. Ele está a dar-nos tempo para nos apercebermos que ele chegou. 
- E tu todo babado.
- Sabes bem que eu sempre quis ser pai - hoje não me era estranho falar com a Tamara, era fácil ela tinha-se tornado uma irmã para nós.
- Sei sim. E arranjas-te a melhor mãe para os teus filhos. A Ana olha para o Enrique de uma maneira que nunca tinha visto. Os olhos dela parece que ficam presos no filho, mas ao mesmo tempo têm aquela preocupação e aquele brilho. 
- Vais ficar igual quando a tua princesa nascer. 
- Ainda vais ver o Enrique a namorar com a Rosa - Rosa era o nome que ela e o José tinham escolhido para a menina. 
- Eles são quase primos, Tamara. 
- Mas de sangue não. Por isso podem muito bem namorar. E o Enrique vai ser lindo com os pais que tem, e a minha menina também tem os bons genes dos pais a seu favor - ela tinha razão. E não se contrariam mulheres grávidas!

Horas depois: 
Depois da visita dos meus pais e da Tamara da parte da manhã, chegou a hora de almoço. Não iríamos receber ninguém. Só depois, a família da Ana. Agora era hora de nós almoçarmos e de o menino também mamar.
A Ana já tinha almoçado, eu estou a almoçar e o Enrique a mamar. Via perfeitamente que a Ana estava cheia de dores. 
- Dói muito? - perguntei. 
- Um bocadinho...é tão indescritível o que se sente. Ele já sabe o que tem de fazer, mas ainda me dói quase tudo...
- Mas em relação a ontem estás melhor, não?
- Sim...tenho uma impressão na barriga mas já não são aquelas dores. Dói-me as mamas quando ele está a mamar e um bocadinho depois. E custa-me estar assim sentada. 
- Depois deitas-te. Se calhar não devias era ter andado aí de um lado para o outro. 
- Não, fez-me bem mexer as pernas. Mas sim, depois deito-me. Os meus pais devem estar a chegar. 
- Já disseram alguma coisa? 
- Sim, o avião atrasou-se na descolagem mas que já chegaram a Lisboa. Foram a casa deixar o Lucky e as malas. 
- Eles vão ficar?
- Sim, querem acompanhar os primeiros dias do Enrique. 
- Vamos ter os avós lá em casa todos os dias estou a ver. São os meus pais e os teus a quererem ajudar...vai ser lindo. 
- A tua mãe com a minha...imagina.
- Ainda nos vamos rir à pala disso. 
- Podes crer... - a Ana deixou de dar de mamar ao Enrique - ajudas-me a levantar? 
- Claro - fui ter com ela, agarrei-a pelo braço, dando apoio nas costas para que ela se levantasse. 
Ela começou a caminhar devagarinho e eu terminei o meu almoço. 
- Só espero que quando chegarmos a casa o Enrique seja assim. Ainda agora acabou de comer já está a dormir. 
- Estamos com uma sorte...
- É esperar que continue até chegarmos a casa. 
- Podes crer - ela deixou o menino no berço e começou a caminhar na minha direcção, já que eu estava junto da cama - chega cá - "puxei-a" devagarinho para mim, abraçando-a. 
- Isso já é tudo falta de alguma coisa? 
- Agora não posso dar um abraço à minha miúda? 
- Ezequiel...eu deixei de ser a tua miúda... - ela olhou para mim a rir-se. 
- Tens razão...és a minha noiva - era assim que ela gostava que eu a chamasse agora...de noiva. Beijámos nos...e "descontrolei-me" um bocado. Os beijos começaram a ser intensos e espalhados pelo pescoço dela. Ela também os queria e também me mordia o pescoço...o que me deixou ainda com mais vontades. 
- Ezequiel...é melhor parares...
- Ana...eu não vou aguentar! - ela riu-se descaradamente do meu desespero. 
- Fofinho - ela parou as minhas mãos, que também já andavam por toda a parte, na sua cintura e colocou as suas mãos na minha cara - a minha mãe e o meu pai estão aí a chegar, controla lá o brinquedo senão logo à noite não te dou uma mãozinha. 
- Dás-me uma mãozinha logo à noite? 
- Se tu e o teu filho se portarem bem...penso com muito carinho e amor na tua necessidade. 
- Está bem... - ela deu-me um beijo curtinho nos lábios e eu ajudei-a a deitar-se.

Ana: 
O "sofrimento" do Ezequiel só me dava vontade de rir...acho que ainda não me tinha apercebido de que ele era viciado em sexo. Está certo que a nossa vida debaixo dos lençóis, e não só, é bastante boa e recomenda-se, mas daí a ser um viciado...a verdade é que devemos ser os dois...
Ficamos ainda um tempo a conversar por causa da minha alta, até que chegam os meus pais...sei que as atenções estão viradas para o Enrique...mas nem sequer me deram dois beijinhos. Foram direitinhos ao berço do menino e só depois é que se lembraram de me cumprimentar e ao Ezequiel também. 
- Como é que te sentes filha? - perguntou a minha mãe. 
- Ainda dorida e cansada, mas estou mais feliz do que isso tudo. 
- Temos uma surpresa para ti... - disse o meu pai. 
- Uma surpresa? - olhei para eles que se riam e o Ezequiel também olhou para eles, mas cúmplice - tu sabes de alguma coisa Ezequiel Garay?
- Sei...mas tu já vais saber também. 
- Vou lá fora buscar - a minha mãe saiu do quarto e passado pouco tempo voltou a entrar. 
Em toda a minha vida sempre desejei por este momento...o de ser mãe e quando a ele se juntam pessoas que nos dizem tanto, é como se se tornasse tudo muito melhor.