sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

29º Capitulo: Sensação mais pura e verdadeira


O estágio de pré época do Benfica passou rapidamente e o Ezequiel já estava em Portugal. 
Desde que soube da gravidez…passaram 3 semanas e ainda não tinha voltado ao médico para começar a ser seguida. Tanto a minha mãe, como a mãe do Ezequiel, a Tamara e mesmo o Ezequiel andavam sempre a alertar-me, mas com o salão a ter cada vez mais trabalho foi impossível fazer alguma coisa nestas 3 semanas. 
Agora que o Ezequiel está presente em carne e osso, anda sempre a pressionar-me a ir ao medico. Ele próprio já arranjou a médica…os contactos dela…e marcou a consulta.
Levantei-me, super enjoada como já começava a ser hábito, e fui tomar um duche rápido. Arranjei-me e em menos de 40 minutos estava despachada.


O Ezequiel vinha ter comigo. Ele estava cá à dois dias e, por culpa minha, o tempo que tínhamos estado juntos foram apenas duas noites e foi marcar a consulta e dormir. Tanto ele como eu andávamos estafados. 
Sai de casa e ela já tinha o seu carro estacionado junto da porta do prédio. Eu caminhei até ele, entrei no carro dando-lhe um beijo de bons dias, que não se prolongou porque…porque me senti super mal disposta com o perfume do Ezequiel. 
- Que perfume é esse? – Perguntei ao afastar-me dele e abrindo a janela do carro. 
- Primeiro, bom dia! Segundo…é o mesmo de sempre. 
- Bom dia! Ai isso é que não é.
- Juro-te que não. 
- Ezequiel…eu conheço o teu cheiro bastante bem e amo-o, mas se estou a enjoar dele não é bom sinal.
- Estás enjoada…do meu perfume. 
- Eu não sei…mas fiquei mal disposta com o cheiro. 
- O meu filho está a tentar ter a mãe só para ele? – Ele brincou com a situação, como seria de esperar, e colocou a sua mão na minha barriga. 
- A minha filha – andávamos os dois em desacordo quando ao sexo do bebé – ela está a deixar-me mal disposta desde que acordei. 
- Isso é natural princesa.
- Eu sei que é normal…mas agora…enjoar do teu perfume? 
- Temos de arranjar outro. 
- Já agora…lá porque enjoei agora, não quer dizer que vá enjoar mais…eu amo o teu cheiro – aproximei-me dele, tentando dar-lhe um beijo…mas aquelas náuseas só pioravam se me aproxima-se dele. Coloquei a minha cabeça ligeiramente para fora do carro, esperando que passasse. 
- É melhor irmos andado… - ele ria-se com a situação, mas já não estava a achar piada nenhuma àquilo…nem o meu namorado posso beijar por causa destes malditos enjoos? 
O Ezequiel arrancou e foi em direcção do local da clínica onde a médica dava as consultas. Durante toda a viagem, o cheiro do Ezequiel continuava a perturbar-me bastante…acho que se não fosse verão bem que podíamos ter trazido um saquinho para vomitar. 
Assim que chagamos à clínica, encaminhamo-nos à recepção e foi-nos indicado que a médica já estava à nossa espera. A senhora da recepção levou-nos até ao consultório e pediu licença que entrássemos. 
A médica parecia super simpática e animada. Colocou-nos logo à vontade e, antes de começar a ecografia, pediu-me imensos dados pessoais, bem como ao Ezequiel, o nosso historial de doenças…basicamente, fez um relatório dos pais do bebé. 
- Vamos então passar para a ecografia e ver esse pequeno – avisou a doutora. Eu fui com ela até à maca e deitei-me. Levantei o meu vestido e a médica colocou um gel sobre o meu ventre…e o minimeu apareceu. 
O Ezequiel estava a meu lado e também ele olhava fixamente para o monitor. A Sara, a médica, indicou-nos onde é que o feijãozinho estava…mas no momento em que as imagens apareceram no ecrã soube logo onde é que o meu tesouro estava. Era a coisa mais pequena e perfeita do mundo…e estava a crescer dentro de mim. Quando a primeira ecografia foi feita, eu estava inconsciente…mas hoje…hoje o meu coração bate tão depressa e as lágrimas caem-me pela face sabendo que ele está bem e está perfeitinho para as 6 semanas que tem. 
- O vosso bebé está a crescer muito bem, a menina Ana está de 6 semanas completas e está a desenvolver-se muito bem.
- E…teve algum inconveniente a Ana ficar muito tempo sem ir a uma consulta? – Perguntou o Ezequiel. 
- Não, nada disso. É claro que deveria ter ido ao médico quando chegou a Portugal, para ficar logo a ser seguida, mas não tem problema, até porque se ela tivesse vindo só agora é que também iria fazer nova ecografia, por isso está bem. 
- E a partir de agora? Como é que serão as ecografias? – O Ezequiel estava super interessado…a ser um super pai. Eu derretia-me lentamente por dentro e estava completamente rendida àquele momento. 
 - A Ana agora basta vir-lhe cá daqui a 4 semanas, quando fizer as 10 de gravidez. Claro que se sentir mal, ou achar que está mal, venha logo. Mas se tudo correr normal só daqui a 4 semanas. 
- E viajar para fora? Pode? 
- Sim. Pode. 
- E a alimentação…ela pode comer de tudo? 
- Ezequiel…é claro que posso comer de tudo. E tudo aquilo que o teu filho quiser! 
- Exacto. A Ana pode comer o que quer…tem é de ter atenção, não se vai meter a comer montes de chocolates de uma vez…não queremos um bebé com diabetes. E tenha atenção aos desejos da sua namorada…do seu filho. 
- Tudo bem. Desejos, ter em atenção. E o sexo? Quando é que podemos saber? 
- Por volta dos 4 meses de gestação. Como a Ana está quase de dois meses, daqui a umas 3 ecografias já sabemos o sexo do bebé. O pai tem mais perguntas? 
- Doutora, ele tem, mas é melhor ficar por aqui senão nem amanha fica despachada. 
- Mas se precisarem de esclarecimentos digam. 
- Claro que sim, mas acho que aquilo que ele quer saber mais eu explico, ou na próxima ecografia a doutora explica. 
- Muito bem. A menina pode sair da maca – a doutora entregou-me uns panos para limpar a barriga. Eu assim fiz, desci da maca e ajeitei o vestido. Dei a mão ao Ezequiel e fomos de novo sentarmo-nos em frente da médica. 
- Então…Ana, tem aqui a sua caderneta para ir-mos assentando tudo, e tem já aí também a data da próxima eco. Vou agora… - a médica colocou uns papeis num envelope e entregou-me – aqui tem as imagens da ecografia de hoje.
- Muito obrigada doutora. 
- Não têm de agradecer. O meu trabalho é trazer ao mundo bebés saudáveis. O vosso está num bom caminho. 
- Vamos fazer de tudo para que seja saudável sempre – comentou o Ezequiel. 
- Da minha parte é tudo. Vocês têm alguma pergunta? 
- Não – respondi. 
- Por agora não – respondeu o Ezequiel. 
- Então vemo-nos daqui a 4 semana, espero eu. 
- Sim. 
Despedimo-nos da doutora e saímos da clínica. 
Caminhamos lado a lado até ao carro do Ezequiel para de seguida entramos nele e dirigirmo-nos para o salão. 
Assim que o Ezequiel ligou o carro e começou a conduzir, eu olhei para as imagens da ecografia.


Era cada vez mais verdadeiro…e o amor que eu tenho para dar a este ser também. Só quero que o dia de o ter nos braços chegue o mais depressa possível e que seja o nosso bebezinho mais que perfeito. 
- Acho que nunca te tinha visto dessa maneira…
- Que maneira?
- Com esse sorriso, com esse brilho nos olhos e a felicidade que todo o teu corpo transmite. 
- Sou feliz…que mais posso fazer? Ser mãe era a coisa que eu mais queria no mundo e puder ter a sorte de ter o pai mais perfeito para o meu filho, faz com que este momento seja ainda mais bonito – e com isto as lágrimas escorriam-me pela cara…enjoos, náuseas, mudanças de humor…vai valer tudo a pena para ter a minha princesa, ou príncipe como o Ezequiel quer. 
- Vamos ser felizes…eu sei que sim. E sei que vais ser a mãe mais galinha do mundo. 
- Fala o pai mais galinha. 
- Galo! Galinha é para a menina – desmanchamo-nos os dois a rir. 

No dia seguinte: 
22. São dois números iguais, siameses. Estão juntos e só se separam daqui a um ano. Hoje…hoje sou eu a bebé da casa! E…como eu amo sê-lo! Amo fazer anos! Amo ficar mais velha…é bom sinal. 
Como em qualquer manha, fiz a minha higiene e vesti-me.


A minha barriguinha, por muita pena minha, ainda não se notava. Eu era magrinha, mesmo magrinha, e a médica disse que só daqui a umas boas semanas é que se vai começar a notar algo.
Tinha decidido fechar o salão hoje. É dia de festa e há que celebrar a minha existência.
Fui até à cozinha, onde já estava a minha mãe…e o Ezequiel?? 
- PARABÉNS! – Vieram os dois abraçar-me e encher-me de beijos.
- Obrigada – sentamo-nos os três à mesa…e que mesa…estava repleta de coisas tão boas e como eu as amava a todas. Desde croissants de chocolate, a morangos, passando pela minha amiga Nutela.
Escusado será dizer que comi um bocadinho de tudo o que me estavam a oferecer logo pela manha. 
- Posso dar-te a minha prenda ou queres continuar a alimentar o meu neto? – interrogou a minha mãe. 
- Primeiro…eu estou a alimentar-nos aos dois. E eu disse que não queria prendas e vocês sabem muito bem disso. 
- São só lembranças – comentou o Ezequiel.
- Então também tens uma…tou feita com vocês. 
- Deixa-te de reclamar e abre lá – a minha mãe estendeu-me um saco, eu dei-lhe dois beijinhos e abri-o.
- Que lindas! – não queria acreditar que a minha mãe…a minha mãe simplesmente foi mãe e deu-me as primeiras botinhas do meu bebé.


- Obrigada mãe – dei-lhe um abraço, deixando cair o saco para o chão. 
- Ana…tem cuidado, ainda lá tens mais uma coisinha. 
- Tenho? 
- Tens…eu achei que era bonito, mas é só uma lembrança. 
Abri de novo o saco e lá dentro estava um colar.

- A serio…é lindo mesmo. Põe-mo, se faz favor – entreguei o colar à minha mãe que mo colocou com todo o gosto. 
Voltei a sentar-me no meu lugar e fiquei petrificada a olhar para as botinhas. 
- A minha prenda…ela está ligeiramente atrasada. 
- Eu disse que não eram precisas…
- Sei disso, mas, como a tua mãe disse, são lembranças. E…não é todos os dias que se fazem 22 anos. 
- É…nem 21, nem 23. 
- Não sejas tola – ele deu-me um beijo e continuamos o nosso pequeno-almoço. 

A minha manha foi passada…toda ela, com a minha mãe e o Ezequiel. Ao almoço fomos os três almoçar fora, com o meu pai também. Ele tinha vindo a Lisboa para começar a tratar da sucursal e combinou almoçar connosco. 
À tarde, andei com o Ezequiel, fui assistir ao treino dele e quando regressamos a minha casa, já a minha mãe tinha ido trabalhar. 
- A tua prenda já chegou. 
- Já?
- Sim. Está no teu quarto e é para usares esta noite. Tens meia hora para te despachar…temos de apanhar o avião. 
- Avião!? 
- Sim. Mas vai despachar-te que eu depois explico melhor. 
Fui até ao meu quarto e tinha lá…bem…roupa linda para vestir. Teria sido o Ezequiel a escolher? Este homem…
Despachei-me, como ele mandou, em meia hora.


- Estou pronta… - afirmei chegando à sala. 
- Ainda mais bonita do que o que pensava. 
- Obrigada. 
- Vamos? 
- Onde? 
- A Madrid. 
- Onde!? 
Ir a Madrid? Agora? No meu dia de anos? Faltavam cerca de 7 horas para o dia terminar…mas passar o resto do dia em Madrid? E…o que é que lá íamos fazer? Aposto que nem com a minha família iria estar…quer dizer, teria de estar com eles daqui a dois dias…sem o Ezequiel. Daqui a dois dias é o casamento do meu primo…e ele só me convidou a mim e à minha mãe. 

5 comentários:

  1. Bem, bem, bem...
    Adorei!
    O próximo se faz favor. :)
    (Adoro ecografias! Já tinha dito?)
    Beijinhos

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  2. Olá!
    Oh pah este papá Ezequiel mata-me ahahahahah
    Se te contasse um pensamento que tive quando li umas das suas falas ias ficar tão mas tão chocada com a minha pessoa xD
    Adorei!!!!! E entao as roupas da Ana nem te digo nada. Amei! Até "roubei" a 2ª! Tem um toquezinho de Ana Santos. Sorry!!!
    Amei e agora venha dai Madrid! Ja tenho medoo!

    Besito
    Ana Santos

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  3. Amei muitoooooooo <3
    O que é que eles vao fazer a Madrid? Uh, estou curiosaaa :b
    Quero mais e rapidinho, por favor....
    Beijinhos :*

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  4. Opaaaa!!! Amei o colar novo da Ana *.* É TÃO LINDO e tão fixe para o momento *.*
    Quanto ao Cap. em si, adorei como sempre =D
    Hum e agora? O que acontecerá em Madrid?!
    Fico à espera ansiosamente... especialmente depois de ler a última frase deste cap. XD
    Jinhs!
    Mariza

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